Secadores

A seleção francesa atraiu cerca de 300 torcedores nesta sexta-feira ao treino aberto que fez na cidade Hameln - o último treinamento da equipe antes da final da Copa do Mundo, contra a Itália, no domingo. Mas nem todos foram para dar apoio. Giuseppe Tancredi foi com a esposa, Renata, e os filhos gêmeos Gianluca e Alessandro. Tirando Renata, todos vestiam a camisa da Juventus de Turim.
- Viemos para ver o Trezeguet, o Vieira, o Thuram e, claro, o Zidane - explicou Giuseppe.
Todos os jogadores citados jogam ou jogaram pela "Vecchia Signora".
Apesar de ter nascido na Alemanha, assim como os filhos, Giuseppe não esquece as origens e diz que só torceu pela Itália na Copa. Contou inclusive que os meninos, de oito anos, tiveram problemas na escola por causa disso, principalmente no confronto entre italianos e alemães das semifinais - vitória da Itália por 2 a 0.
- Existe muito preconceito na Alemanha. Chegavam em grupos contra eles e mandavam deixar o país - afirmou Giuseppe.
Curiosamente, os dois garotos agitavam bandeiras da França durante o treino. E não paravam de gritar os nomes de Zidane e Trezeguet.
Fábula
A cidade base da França durante a Copa é a mesma onde se passa a fábula do flautista de Hameln, dos irmãos Grimm - e as referências a ela estão em toda parte.
A história tem um final pra lá de trágico. A cidade estava infestada por ratos. O tal flautista se ofereceu para livrá-la deles em troca de uma recompensa, que seria paga pelos comerciantes. Com sua flauta, ele atraiu todos os ratos até um rio, onde eles morreram afogados. Mas, como não foi pago, ele voltou à cidade disfarçado e desta vez atraiu todas as crianças. Nunca mais foram vistas. A não ser duas, mas uma estava cega e a outra, muda.


Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 18h30
África do Sul-2010
A música tema da seleção alemã na Copa - '54, '74, '90, 2006 -, da banda Sportfreunde Stiller, já ganhou uma nova versão. Com a eliminação do time, o refrão mudou para '54, '74, '90, 2010.
Satisfeitos
Apesar de ter perdido na noite de quarta para a França, a seleção portuguesa foi longamente ovacionada pelos torcedores portugueses ao final da partida. Alguns fãs foram esperar a saída do ônibus do estádio - e não era para xingar, mas sim para tietar os jogadores. O próprio Felipão disse na entrevista coletiva que "não fica nenhuma decepção".
Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 06h57
Lusa

A torcida de Portugal recebeu realmente o reforço de brasileiros para o jogo desta quarta-feira, em Munique, contra a França, pelas semifinais da Copa do Mundo, conforme esperava o Felipão. Mauro Mourão, de Santos, foi ao estádio com uma camisa da Lusa e jurou de pés juntos que realmente é torcedor do clube do Canindé desde pequenininho.
- O Felipão está devendo essa pra gente - disse, referindo-se ao título brasileiro conquistado pelo Grêmio, em 1996, em cima da Portuguesa.
Seu irmão, Diogo Mourão, que mora em Portugal - são filhos de pai português -, preferiu usar a camisa do time nacional.
Só dá Felipão

Fora da Copa, arqui-rivais se uniram para torcer por Portugal. O brasileiro Felipe Rovera (no alto à direita), presidente da General Motors da Argentina, trouxe o filho, Roger, e os argentinos Frederico Lacasa, Hugo Lacasa, Jorge Sportelli e Pedro Dalmau.
- Temos que dar uma força para a o Felipão - disse Felipe.
Gaita

E a torcida francesa chegou bem animada ao estádio. Esses dois tocavam uma gaita de fole (ou algum instrumento parecido) e uma flauta (idem). Em sua marcha, pareciam estar indo para uma batalha. Logo outros torcedores franceses começaram a segui-los.
Tá ruim, mas tá bom
Apesar da eliminação dramática nas semifinais, com dois gols da Itália nos últimos minutos, os torcedores alemães também estão em grande número no estádio de Munique. Muitos com a camisa de sua seleção e até com bandeiras do país pintadas no rosto. Parecem satisfeitos.
Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 14h41
Só em português
A entrevista coletiva de Luiz Felipe Scolari nesta terça-feira, véspera da semifinal contra a França, seguiu o padrão das entrevistas oficiais da Fifa que o técnico da seleção portuguesa vinha fazendo: 20 minutos para perguntas dos portugueses e dez minutos para questões de repórteres de outros países, que teoricamente fariam perguntas em inglês. O problema é que nestes últimos dez minutos a imprensa estrangeira que fez perguntas foi somente a brasileira. Sem o time de Parreira na Copa, jornais rádios e TVs do Brasil agora seguem o Felipão. Os jornalistas de países de outras línguas não gostaram nada quando souberam que não teriam oportunidade de perguntar e quase saiu um quebra-pau. O clima pesou de verdade.
Durante a entrevista, no entanto, um muito bem-humorado Felipão respondeu a todas as perguntas praticamente sem dar nenhuma das tradicionais "bufadas" que dava no Brasil. Ele inclusive arrancou risos ao comentar que o futebol vai perder muito com a aposentadoria de Zidane - que comparou a Figo.
- A bola não chora quando chega ao pé dele. Quando eu jogava ela chorava - disse o ex-zagueiro.
Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 15h09
Amostra de simpatia
Muito se diz que o povo alemão é fechado, ranzinza, enfadado, pouco paciente e prestativo. Após mais de um mês na Alemanha, posso dizer que não tenho muito a reclamar de nada disso. Ao contrário, acho que os alemães têm tratado bem os visitantes. Sempre acontece um entrevero ou outro, mas, no geral, não vi nada de muito alarmante. A maioria das pessoas, inclusive, fala um pouco de inglês - ou se esforça bastante para isso. Nesta segunda-feira tive uma grande amostra da boa vontade de um alemão. Por um erro, eu tinha o endereço errado do hotel onde estou em Munique. Sai de Frankfurt por volta das 10h da manhã e fui guiado pelo GPS (sistema de navegação) para um local que nada tinha a ver com meu destino. Após horas de viagem de carro, acabei num vilarejo nos cafundós de sei lá aonde. O jeito foi sair à pé e pedir informações para as pessoas. Encontrei um senhor, provavelmente aposentado, descansando calmamente em frente à sua casa. Perguntei se ele falava inglês e ele disse que sim. Mostrei então o nome e o endereço do hotel que eu tinha. Ele prontamente disse que não era ali e que eu estava bem longe. Aí ele me convidou para que entrássemos em sua casa para procurar na internet. Não só achamos o endereço correto como ele inclusive fez questão de imprimir mapas para que eu não me perdesse de novo. E eu nem precisei me apresentar, dizer nome, explicar minha situação difícil, nada. Muito legal. E eu estava mesmo bem longe. Coisa de 400 km.
Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 14h34
Melancolia

Em meio ao clima de despedida da seleção brasileira no hotel em Frankfurt, apareceu em uma mesa esse jornal velho, já todo rasgado. É a capa de um guia especial do Financial Times para a Copa do Mundo, com data de 6 de junho de 2006. A pergunta da manchete é "Alguém pode pará-los?" e a foto é de jogadores brasileiros fazendo festa.
Na madrugada deste domingo, voltando do estádio para o hotel, não se via nenhum brasileiro pelas ruas de Frankfurt. Em uma "kebaberia", já com o dia quase amanhecendo, o torcedor Alexandre Peregrino, que viu o jogo de um telão, bebia sozinho uma cerveja. "Todo mundo desanimou", explicou o publicitário, cujos amigos preferiram dormir a assistir à festa francesa.

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 14h06
