Blog do Eduardo Vieira da Costa
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Estádio de Munique

A visão para quem vai assistir ao jogo do Brasil contra a Austrália no estádio de Munique é muito melhor do que a do estádio Olímpico de Berlim, onde a seleção enfrentou a Croácia. Os assentos ficam muito mais próximos do gramado, principalmente pelo fato de não haver pista de atletismo nem fosso. A primeira fileira fica praticamente dentro do campo. Repare que algumas cadeiras ficam literalmente coladas no banco de reservas.

Abaixo, o estádio por fora e por dentro. Amanhã vai estar apinhado de gente.

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 13h23

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Segundo luto

Bussunda foi o segundo brasileiro que morreu na Alemanha cobrindo a Copa do Mundo. Coincidentemente, o segundo por infarto fulminante sofrido dentro do hotel. Antes mesmo do início da competição, o jornalista Marco Antônio Antunes de Souza morreu, aos 56 anos, em Colônia --faria a cobertura de sua sétima Copa do Mundo. Ele trabalhava para o site Dez na Rede, o Jornal de Hoje e a rádio 96 FM.

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 12h44

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Inimigo meu

A rivalidade entre australianos e neozelandeses é grande. Seria algo como a que existe entre brasileiros e argentinos. Agora vejam a situação do jornalista Michael Bruce. Ele é neozelandês, mas trabalha para a News Ltd. Newspapers, da Austrália, que publica o jornal The Australian. Perguntei se não era um pouco estranho para ele. Primeiro, ele desconversou. Disse que muitos neozelandeses apoiam a Austrália na Copa. Aí eu disse que conversei com alguns neozelandeses no jogo amistoso disputado por eles contra o Brasil, em Genebra, e contei que eles não se declararam muito fãs dos australianos - ao contrário, usaram alguns palavrões para descrever o país vizinho. Aí Michael confessou:

- Torço em primeiro lugar para a Nova Zelândia e em segundo para qualquer um que jogue contra a Austrália.

Até a imprensa "australiana" vai torcer pelo Brasil no domingo.

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 15h53

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O encontro de dois mundos

Diante de toda a polêmica em torno de Ronaldo, a gafe do técnico Carlos Alberto Parreira na entrevista coletiva desta quinta-feira ficou ainda mais engraçada. O treinador colocou Ronaldo e Adriano, que juntos têm pelo menos 180 kg, como uma dupla da ataque "de peso".

Confira aqui o trecho de entrevista e como Parreira se saiu.

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 18h00

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A Praça é Nossa

Mais uma repórter da TV Mexicana roubou a cena no treino da seleção brasileira nesta quinta-feira. Alicia Machado, nascida na Venezuela e que trabalha na Televisa Deportes, pagou um mico e divertiu a galera. Depois de pedir insistentemente por "saludos" dos jogadores - "no me voy a volver más", alegava, sem sucesso - pediu que alguém a ajudasse para falar em português. O pedido seguinte saiu assim:

- Roberto Carlos, dá um tchau e vai embora!

Sem entender muito bem, o jogador acenou. Em seguida, a repórter desandou a gritar por Emerson, que estava muito longe. Depois de algum tempo, foi avisada que, se queria falar com o jogador que estava a poucos metros, seu nome era Cafu.

- Cafu, Cafu, perdón, Cafu. Uno saludo para Mexico.

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 14h29

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Seu Barriga

De um taxista turco nesta manhã, em Berlim, ao saber que eu era do Brasil:

- O Ronaldo está esperando um filho?

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 05h36

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Barulho

É difícil dizer qual a torcida maior no estádio. A impressão é de que há mais croatas. Principalmente porque tem gente de tudo quanto é nacionalidade com a camisa do Brasil, e imagino que quem usa a camisa quadriculada deva ser realmente croata. E eles cantam que é uma beleza, sobem bandeirão e tudo o mais. Lembra as organizadas do Brasil.

Organizadas que, por sinal, estão presentes aqui. Pelo menos a Gaviões da Fiel, que estendeu sua faixa no lado de fora do estádio Olímpico.

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 16h23

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Modernidade

Da tribuna de imprensa do estádio Olímpico de Berlim, você pode ver ao mesmo tempo o campo e as imagens dos jogadores em TVs individuais de tela plana widescreen. Aqui, Ronaldinho se aquece para o jogo contra a Croácia.

Nos alto-falantes, nenhuma modernidade. We will rock you, do Queen.

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 15h41

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Mistureba

Mario Cruz e Morgan Pessereau se conheceram na Universidade de Berkeley, nos EUA, onde moram. Ele do México, ela da França. Casaram-se. Estão agora em férias na Alemanha e resolveram assistir a Brasil x Croácia. Olhando para os dois, ninguém diria que não era um casal brasileiro - ele estava com a camisa da seleção e ela tinha uma bandeira do Brasil cobrindo os ombros. A não ser pelo fato de Morgan estar em frente à TV do bar do estádio roendo as unhas enquanto acompanhava França x Suíça pela TV. Mario contou que eles já haviam ido ao estádio para a estréia do México (3 a 1 sobre o Irã), exigência sua, e que iriam ver França x Coréia do Sul. Hoje, os dois são Brasil, mas se o México cruzar a França...

Falando em México, vários torcedores do país vieram acompanhar a seleção brasileira. Os cinco amigos abaixo, Enrique Dominguez, Alejandro Olivares, Andy Galindo, Jesus Cordeiro e Jorge Loyola, correram de Nuremberg, onde viram o time mexicano bater o Irã, no domingo, para Berlim para ver a seleção brasileira - disseram ter pago 400 euros cada um nos ingressos. "Só assim vamos ver o verdadeiro futebol", disse Andy.

O também mexicano Jorge Rivera, que aparece no post abaixo, disse que espera desde a Copa do México-1970 para ver novamente a seleção brasileira no estádio. "Estive no jogo em que o Brasil venceu a Inglaterra por 1 a 0 no estádio Jalisco de Guadalajara. Quero ver se esse time joga como aquele."

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 15h01

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Compro ouro

Se você for a um jogo de Copa do Mundo sem ingresso, leve uma plaquinha. É assim que os torcedores de diferentes nacionalidades (e diferentes línguas) se comunicam para conseguir bilhetes no câmbio negro nos arredores do estádio. Um ingresso com valor de face de 45 euros foi vendido, em média, por 400 euros na porta do estádio Olímpico, nesta terça-feira, para o jogo do Brasil com a Croácia.

Alguns torcedores chegaram a pagar 800 euros - um deles afirmou que tentaram vender um bilhete por nada menos que 1.200 euros, ou quase R$ 3.500.

O norte-americano Steve McInerney, que aparece na primeira foto e que a muito custo disse qual era seu nome, estava disposto a pagar no máximo 200 euros pelo ingresso. Encontrei-o por volta das 17h e depois cruzei-o de novo quase 19h - ainda não havia conseguido nada.

O mexicano Jorge Rivera, da segunda foto, procurava ingressos para ele, para a mulher e para o filho. Chegou a tentar comprar minha credencial de imprensa.

O da terceira foto, Mimmo Russo, da Itália, estava mal-humorado com a dificuldade para comprar ingresso e não quis muito papo - além disso, só falava italiano.

Todos justificam a disposição de gastar tanto dinheiro da mesma forma: Só o Brasil pode dar show na Copa. Veremos daqui a pouco.

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 14h25

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Invasão croata

Berlim está forrada de croatas. A impressão que se tem nas ruas é de que para cada camisa amarela (sem contar as da Suécia) são pelo menos dez quadriculadas. Se a proporção for essa hoje, no estádio Olímpico de Berlim, o Brasil vai estrear praticamente na casa do rival. Como disse o Parreira, para quem está na Europa dá para vir para a Alemanha "até de bicicleta".

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 06h22

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Forza Italia

Os italianos estão loucos para pegar o Brasil. Querem a revanche da final da Copa dos EUA-1994, quando ganhamos nos pênaltis. E isso pode acontecer já nas oitavas-de-final, se um passar em primeiro de seu grupo e o outro avançar na segunda colocação.

Na viagem de trem de Frankfurt para Berlim - bastante agradável, por sinal -, nesta madrugada, o garçom do vagão restaurante era um italiano, Andre Cacciuttolo. Logo que percebeu que estava diante de um brasileiro, não se conteve.

- Parece que o Brasil vai voltar mais cedo pra casa dessa vez.

Fanfarrão, Andre simulou uma cobrança de pênalti e disparou:

- Desta vez não vai ter o Baggio.

Na hora de trazer a conta, o garçom ainda fez questão de escrever à mão um recado. "Forza Italia. Italia - Brasil = 4 - 0."

E, falando em Copa de 1994, escutei no rádio hoje pela manhã a obscura música "Romário", da não menos obscura Banda Bel. Lembram? É aquela do "Romário é rei, Romário é o máximo. Ele é o cããão".

Esse aí embaixo é o Andre.

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 07h41

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Caos

A visão de Frankfurt logo após a vitória da Inglaterra por 1 a 0 sobre o Paraguai, no sábado, era impressionante. Sujeira e garrafas de cerveja quebradas para todos os lados. Bandos de bêbados amontoados. Brigas ocasionais aqui e acolá. Logo que desci do táxi, em uma praça, vi uma garrafa de cerveja voando e explodindo no chão _por sorte não acertou ninguém. Um policial me alertou para sair dali rapidamente. Corre-corre. Uma confusão dos diabos. Nas ruas, uma maioria esmagadora de homens e umas poucas mulheres. Em uma viela, presenciei uma briga "um contra um" enquanto várias pessoas em volta urravam e torciam para um ou para outro _até que alguém foi lá e os separou. A cidade esperava até 30 mil ingleses, mas, segundo a polícia, o número pode ter chegado a 70 mil. Pelo menos 20 foram presos por desordem, tentativas de furto ou posse de drogas. Imagine se a Inglaterra tivesse perdido.

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 13h08

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PERFIL

Eduardo Vieira da Costa Eduardo Vieira da Costa, 29, é editor de Esporte da Folha Online.

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