Tortura
A histeria em torno da seleção brasileira em Weggis é inexplicável para mim. O que leva as pessoas a correrem atrás do ônibus dos jogadores, batendo fotos para tentar pegar uma imagem através de um vidro fumê --que obviamente vão ficar péssimas? Por que correm como loucos para poder espiar os atletas por uma fresta a dezenas de metros de distância. Impressionante.
Neste sábado a torcida deu um grande exemplo de paciência e adoração pelo time do Brasil. O treino estava marcado para as 9h30 da manhã, mas apenas Dida, Rogério e Júlio César apareceram. Fazia frio. Aí começou a chover. Mesmo assim, ninguém arredou pé. Chegaram a fazer uma olé para o gramado vazio.
O casal da foto abaixo, Raik e Ina Strüpling, levou o filho Ben. Mesmo debaixo de chuva, eles não reclamaram da demora. "Acho que vale a pena", disse Ina.
Mais de uma hora depois, os alto-falantes anunciaram que enfim os outros jogadores iriam ao campo. A torcida vibrou. E tudo para ver um treino físico e umas cobranças de faltas. E vale lembrar que os ingressos custaram 20 francos suíços (quase R$ 40).


Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 16h03
Sósia


Quem é o sujeito das fotos acima?
- Scolari, diz ele quando pergunto seu nome.
Na verdade é o bem-humorado suíço Roland Jorns, 48, que veio Weggis para acompanhar os treinos da seleção brasileira. Ele conta que numa viagem recente a Portugal teve que tirar centenas de fotos nas ruas, graças à semelhança com o treinador da seleção lusa.
Pergunto a ele quem é melhor, Felipão ou Parreira.
- São estilos diferentes, um sabe mais de técnica, o outro tem mais vibração.
Tá bom. Já sei que ele sabe do que está falando. E então, quem é melhor?
- Scolari, é claro.
Se perguntarem para o Quico, do Chaves, é certo que ele vai dizer que é o Parreira.
Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 19h04
Olé

Está certo que a polícia de Weggis e os seguranças contratados para os treinos da seleção devem estar acostumados à calmaria da cidade, em que nada acontece. Mas tomar um baile, como esse segurança tomou deste rapaz, é demais. Muito humilhante. O cara deu vários dribles no segurança. Quando viu que o outro não podia alcançá-lo, brincou até de tourada. E ninguém ia para cima para pegá-lo, para ajudar. Incompreensível. Aí foi pego finalmente e tomou um belo sacode da polícia. Tudo bem que os caras não estivessem esperando a primeira invasão. Mas a partir da segunda eles tinham que ficar mais espertos. A única explicação que consigo ver é de que o número de seguranças e policiais não era suficiente. O que é uma temeridade.
Detalhe: quando entrou a primeira invasora, uma brasileira, que agarrou Ronaldinho, a galera vibrou. Com a segunda, a da foto abaixo, novos aplausos. Mas quando entrou o primeiro homem, a galera vaiou a valer.

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 18h43
Bingo!
Videogame todo mundo sabe que é um dos passatempos prediletos dos boleiros em concentrações. Carteado também. Mas a dinheiro nunca, pelo menos oficialmente. À noite sai um pagodinho de vez em quando. Sinuca, pingue-pongue, internet, tudo quanto é bobagem vale. Ainda mais quando estão todos trancados em um hotel em frente ao qual imprensa e fãs não podem ficar nem mesmo na calçada. Ou melhor, podem, mas só do outro lado da rua. Mas o que intriga é o fato de os jogadores terem pedido à comissão técnica a realização de um bingo em Weggis. Um bingo! Imaginem quanta animação deve rolar. Segundo o supervisor Américo Faria, as prendas já foram compradas. Ipods e coisas do tipo. Opa! Aí já parece bom...
Abaixo, Júlio Cesar e Robinho disputam partida de futebol em playstation. O goleiro, com o Barcelona, bateu o atacante, que jogou com Arsenal. A foto é de divulgação da CBF.

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 08h26
Ledo engano

Olha só que coisa mais estranha. No meio de toda a febre verde-amarela, passeava por Weggis esta moça da foto, Jolanda Krummenadier. O que existe de estranho nela é o boné. Reparem, um boné com a bandeira da Suíça! Com certeza, essa foi a única pessoa que vi até agora por aqui usando as cores da Suíça. Nem no último jogo da seleção que vi no Morumbi havia tanta gente de verde e amarelo --de crianças a velhinhos, passando inclusive por cachorros.
Aí eu pergunto se ela tem algum sentimento de nacionalismo, se a modinha de Brasil na cidade a incomoda. Para meu espanto, ela aponta para a própria bolsa. O boné era da Suíça, a roupa era da cor da bandeira nacional de seu país. Mas a bolsa era do Brasil. Com bandeirinha e tudo. "Adoro essa coisa toda do Brasil. É muito bom para Weggis. A Suíça tem sorte de ter ido à Copa", sentenciou.

Mais à frente, na mesma rua, me deparo com outra pessoa um pouco diferente da maioria. O garoto Simon Küttel vem andando tranqüilo, vestindo uma camiseta com dizeres bem claros: Who the fuck is Brazil?
Este, com certeza, odeia a coisa toda, pensei. Nada. O moleque, junto com um grupo de amigos, mandou fazer a camiseta só para tirar onda. "Todo mundo olha pra gente quando passamos. Mas eu gosto desse clima com o pessoal do Brasil por aqui, gosto da música, de tudo."


A explicação para isso parece simples. Não existe nada para se fazer em Weggis. Nunca. Não poderia ser diferente num lugar em que não se encontra nenhum restaurante aberto às 23h.
Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 18h16
Kevin Ceni
A sede da imprensa por boas histórias rende episódios que chegam a ser patéticos. Depois de uma brincadeira de Rogério Ceni, que chamou o gandula Kevin Walchal, 13, para pegar umas bolas no gol --o que levou a torcida à loucura--, o garoto virou celebridade para repórteres do Brasil e chegou inclusive a dar uma entrevista coletiva na sala de imprensa do estádio. Como os jogadores não dão entrevistas nos treinos matinais, Kevin virou rei.

As fotos são de Antônio Gaudério.
Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 08h46
Meio-campo

Em meio aos torcedores suíços e brasileiros, quase todos com camisas amarelas, um sujeito bigodudo chamava a atenção na tarde de quarta-feira no Thermoplan Arena, em Weggis. Com a camisa da seleção da Croácia, primeira adversária do Brasil na Copa, ele destoava na multidão. Como a cadeira a seu lado estava vazia, sentei-me. "Excuse me. Do you speak english?" Apenas um aceno negativo com a cabeça. "Spanish?" Nada. Desapontado, soltei um impropério qualquer em português. Aí vira-se o cidadão que estava logo à minha frente. Era Fabiano von Felten, suíço filho de uma brasileira, que logo se ofereceu para me ajudar e intermediar uma entrevista em alemão. O senhor do bigode e camisa da Croácia, que fumava e bebia cerveja nas arquibancadas, era Ivan Brica, de 44 anos. Ivan é um senhor bonachão. Rindo bastante e dando tapas no meu ombro, explicou que não estava ali por admiração à seleção brasileira, mas para secar mesmo. "O Brasil tem no máximo uns cinco jogadores bons. O resto é tudo normal", disparou. Brasil x Croácia na Copa? "No mínimo um empate. Depois, Brasil e Croácia vencem e se classificam." Em seguida Ivan apontou para o garoto que estava a seu lado e apresentou Ilija, 16, seu filho. "Esse entende muito de futebol", disse. "Os brasileiros têm muito talento", limitou-se a dizer o acanhado menino, olhando feio para o pai, que ria e ao mesmo tempo acrescentava que seu país ficou em terceiro lugar na Copa-1998.
Na despedida do prestativo Fabiano, o intermediador da entrevista, descobri que ele próprio é jogador de futebol. Atua no Emmenbrücke, da quarta divisão suíça. Quarta somente por enquanto. O time joga pela penúltima rodada da competição neste sábado, contra o Schadtdorf, e depende de uma vitória para garantir o acesso à terceira divisão por antecipação. Aos 23 anos, no entanto, Fabiano diz que já não tem mais esperanças de se dar bem no futebol. "Mas acho que dá para chegar até à segunda divisão", avisou o meio-campista suíço-brasileiro, que não sabe para quem vai torcer na Copa. "Em jogos amistosos eu torço para a Suíça. O Brasil ganha tudo, e para a Suíça é um sucesso enorme vencer um jogo assim. Mas no momento eu não sei para quem iria torcer. Espero que não se cruzem. Se fizerem a final, acho que torço para os dois." Eu, por enquanto, vou torcer para Emmenbrücke ganhar sua vaga na terceirona.

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 17h59
Finalísssima
Quem vai fazer a final da Copa do Mundo da Alemanha? Não há dúvida. Para o pessoal de Weggis vai dar Brasil e Suíça. Eu não colocaria os suíços entre os favoritos, não. O Brasil, sim, pelo menos no papel. Mas é esse favoritismo mesmo que pode azedar a situação.

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 17h55
Farrista

Fanfarrão existe em todo lugar. Não tenho idéia de para que o sujeito enfeitou todo esse carrinho, que estava estacionado ao lado de um posto de gasolina aqui em Weggis. Ele colocou vários adereços do Brasil, todos muito toscos. Dentro da charanga se via uma placa, em um inglês macarrônico, em que ele dizia algo como "preciso de uma mulher bonita, que saiba lavar, cozinhar e cuidar da casa". Talvez arrume uma brasileira. Numa pequena boate da cidade não é difícil ver brasileiros (as) se atracando com os "gringos (as)".
Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 17h53
De repente, brasileiro
No caminho de Zurique para Weggis, a presença brasileira é marcante. Outdoors alusivos à Copa e principalmente ao Brasil estão em toda a parte. Mas quando se chega perto de Weggis é que se tem idéia do tamanho da loucura. Quase todas as casas têm bandeiras do Brasil penduradas, as pessoas nas ruas usam camisas da seleção etc. O "carinho" com os brasileiros e até simpático, mas a imagem que se passa do país, na maior parte das vezes, não passa daquela do trinômio caipirinha-samba-mulata. Próximo ao estádio onde o Brasil faz seus treinos, foi montada uma feirinha temática do Brasil. As barraquinhas vendem, além de salsichões e comidas da região, caipirinhas e batidas "exóticas" brasileiras, com pó de guaraná, por exemplo. Não faltam também palquinhos com samba tipo axé rolando alto e morenas sambando e rebolando. Meio deprimente. Sem contar pessoas trabalhando nas barraquinhas com camisas do Brasil por obrigação. Esse aí embaixo parece não ter nem idéia de porque tem que fazer isso...

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 17h52
Recepção
Logo na chegada a Zurique, os jogadores brasileiros tiveram idéia do clima que os esperava em Weggis. Centenas de pessoas lotaram o teto do aeroporto só para ver de longe os atletas da seleção.

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 17h49
Mesas-redondas
No aeroporto, enquanto aguardavam na sala de embarque o vôo para a Suíça --bem longe dos jogadores, que esperavam em uma sala vip--, os jornalistas dos mais diferentes veículos faziam suas mesas redondas informais dando os pitacos mais absurdos possíveis sobre o que deve acontecer na Copa. As previsões, é claro, variam desde os que acham que o Brasil vai ser campeão aos que acham que o time da Parreira cai na primeira fase. Entre as conversas, uma chamou a atenção. Alberto Helena Jr., do Diário de São Paulo, dizia a Tostão, colunista da Folha, que discordava de algumas atitudes de Parreira. Tostão, com seu jeitinho mineiro, também demonstrou preocupação. Mas não por que esteja vendo grandes erros. "Acho que o problema é que está tudo certinho demais", ponderou.

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 17h47
No ar
Enfim entra no ar meu blog da Copa. O espaço será destinado a falar sobre o Mundial sob uma perspectiva diferente, ressaltando sempre o que acontece paralelamente, o que é curioso, pitoresco. Vou acompanhar aqui o cotidiano da seleção e dos torcedores (ou não-torcedores) brasileiros e locais durante o período de treinos na Suíça e ao longo da Copa da Alemanha.
Chega de conversa e vamos ao que interessa. O clima de oba-oba em torno da seleção é notório. Já no aeroporto de São Paulo, no embarque para a Suíça, deu para se ter uma idéia do frenesi em torno dos jogadores. Rogério Ceni, com a filha no colo, quase se livrou da multidão de repórteres e torcedores. Até jogadores com menos apelo popular, como Luisão, arrastaram a multidão aonde foram.
Mas nada se compara ao que acontece com Ronaldinho. Dizem que vendedoras abandonaram lojas no aeroporto do Galeão, no Rio, para correr atrás do astro na hora do embarque. Com direito a choro e gritos de "lindo", é claro. O mais legal é que não só garotinhas se desesperam quando vêm o craque do Barcelona. Qualquer marmanjo fica bobo na frente do maior craque do mundo.
Na foto abaixo, o comandante do vôo 8772 se derrete diante do melhor jogador do planeta e abre passagem para o atleta entrar no avião.

Escrito por Eduardo Vieira da Costa às 17h26
